TODO APOIO À LUTA DAS FAMÍLIAS SEM TETO EM TRÊS LAGOAS

Cerca de 60 famílias sem moradia, e muitas sem renda em vista do desemprego, ocuparam no dia 14 de novembro de 2020 (sábado) uma área da Prefeitura de Três Lagoas-MS, na Vila Verde, para construir casas improvisadas. Algumas horas depois funcionários da Prefeitura e policiais chegaram para desocupar a área. A mando da Prefeitura, sem ordem judicial, a PM reprimiu as famílias com balas de borracha, apontando armas para homens, mulheres e crianças, prendeu uma trabalhadora e um trabalhador que lutavam por moradia, e derrubou com máquina os barracos destruindo o pouco que as famílias possuíam. As aproximadamente 200 pessoas resistiram. No domingo de eleição, dia 15, a tropa de choque foi ao local, novamente de forma ilegal, sem um mandado de reintegração de posse, para expulsar as famílias do terreno. No dia 16 de novembro parte dessas famílias, sem ter para onde ir, ocupou outra área no Jardim Flamboyant. Não passou muito tempo e a PM com funcionários da Prefeitura chegaram ao local para expulsar essas pessoas, novamente sem ordem judicial. As famílias continuam resistindo e rompem assim o silêncio que cerca a questão da moradia em Três Lagoas.

Essas trabalhadoras e trabalhadores, com suas crianças, querem apenas um teto para morar, mas a Prefeitura manda a polícia para reprimir. Três Lagoas é uma cidade das contradições e talvez a maior delas é o drama da moradia. De um lado, é uma cidade com imensos “vazios” urbanos, reservas de terras privadas para especulação, terras da União e do Município que não atendem ao princípio da função social. Por outro lado, os aluguéis caros, os baixos salários e a ausência de políticas permanentes de moradia popular têm jogado famílias para condições extremas de vulnerabilidade cuja solução possível é a luta organizada e legítima por um lar.

A crise sanitária e econômica que vivemos aprofundou a crise social com o desemprego e a diminuição dos salários para a maioria da população, enquanto alguns poucos continuam enriquecendo sob a miséria dos demais. O caso não é de polícia, mas de política de habitação e de renda para as famílias. Não é com a criminalização dos pobres, ameaças de funcionários da Prefeitura e com a repressão que se resolverá o problema da falta de moradia, mas com atenção às pautas legítimas dessas famílias.

As organizações abaixo assinadas se solidarizam com as famílias em luta por moradia e cobram da Prefeitura ações imediatas de solução do problema de moradia, com a destinação de terras públicas e privadas que não atendem ao interesse social, para que as famílias possam construir suas casas. Reivindicam, também, a atualização dos cadastros de famílias em vulnerabilidade social em vista da crise sanitária e econômica atual.

 

 

ASSINAM ESTA CARTA
ADUFMS – Sindicato dos docentes da UFMS/Seção Sindical do ANDES – Subseção de Três Lagoas
AGB-TL – Associação dos Geógrafos Brasileiros, Seção Local Três Lagoas
ANPUH/MS – Associação Nacional de História – Seção do Mato Grosso do Sul
CSP-CONLUTAS – Central Sindical e Popular CONLUTAS, Representação MS
LUTA POPULAR – Movimento Social
PSOL – Partido Socialismo e Liberdade de Três Lagoas
PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
PT – Partido dos Trabalhadores
SINASEFE-MS – Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Profissional