No dia em que o Brasil chegou a mais de 500 mil vítimas da covid-19 – Meio milhão de mortos – as ruas de Mato Grosso do Sul são ocupadas por manifestantes em 06 cidades. Na capital, Campo Grande, a estimativa foi de 3 mil pessoas nas ruas em protesto convocado por movimentos sociais, partidos políticos e centrais sindicais.

CAMPO GRANDE

Várias foram as estratégias de organização para os protestos nas diferentes cidades que participaram do chamado nacional. Em Campo Grande a concentração foi na Praça do Rádio Clube no início da manhã e os grupos saíram em passeata pela cidade. Entre os cartazes portados pelos manifestantes, chamaram mais atenção aqueles contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a favor da vacina contra Covid-19.

Houve uma preocupação com as medidas de biossegurança. Assim, foram distribuídas máscaras do tipo PFF2, que têm maior eficácia na proteção contra a Covid-19, e de álcool a 70% para a população e participantes da manifestação. Além disso, a organização do manifesto organizou uma comissão de pessoas responsáveis por garantir que o distanciamento fosse respeitado, além de portarem borrifadores de álcool 70% para aspergir nas mãos dos participantes, para se destacar na multidão, os integrantes da Comissão usavam coletes azuis.

O professor Tiago Tristão, filiado ao SINASEFE|MS, participou da mobilização em Campo Grande e relata que houve um momento de tensão protagonizado por motoristas descontentes com a manifestação. A situação piorou quanto a Polícia Militar usou o destacamento da Cavalaria para dispersar militantes e liberar as vias, ação que não foi registrada em atos anteriores de apoiadores do governo.

Ao contrário dos motoristas insatisfeitos, a população de trabalhadores ambulantes demonstrou apoio o movimento com gestos e falas. “A contradição era visível”, relata o professor Thiago: “nos prédios da Av. Afonso Pena moradores estendiam bandeiras do Brasil para sinalizar apoio ao presidente, eles queriam mostrar que fazem parte de uma elite, ou querem fazer parte contrapondo-se a maior parte da população brasileira”.

A manifestação aglutinou pautas diversas, com centralidade no #ForaBolsonaro, na vacinação em massa da população e na defesa da educação pública, esta última principalmente empreendida pelo Movimento Estudantil, que teve papel de destaque na organização da manifestação na capital.

O movimento de artistas realizou performances simbólicas sobre questões ambientais, o manifesto contou com a participação de um boneco em referência ao Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Também haviam cartazes levantados por indígenas Terena contra o PL490, que propõe que a demarcação das terras indígenas seja feita através de leis e prevê a abertura das terras indígenas para o garimpo que está destruindo cada vez mais a Amazônia Brasileira.

Créditos: Clara Farias | Clique na foto para ver mais.

CORUMBÁ

Na cidade de Corumbá a manifestação teve sua concentração na Praça Central, entre a Rua Frei Mariano e a Rua Dom Aquino na parte da manhã. O manifesto foi em homenagem aos mais de 500 mil brasileiros que perderam as suas vidas em detrimento da covid-19 sendo 400 pessoas residentes de Corumbá e Ladário. O movimento reivindicou vacina para a população, o retorno do auxilio emergencial de R$600,00, o impeachment do Presidente Bolsonaro e também destacou os impactos da Reforma Administrativa para os serviços públicos no Brasil.

O manifesto foi organizado por diversas organizações e movimentos sociais, entre elas: SINASEFE-MS, SIMTED Corumbá, SINPAF, ADUFEMS, Marcha Mundial das Mulheres e partidos de oposição.

Créditos: Thiago Assis | Clique na foto para ver mais.

 

TRÊS LAGOAS

Em Três Lagoas, a concentração do ato foi na Praça do Relógio as 09h. Em seguida os manifestantes caminharam até a feira central, completando a volta no quarteirão acompanhados de um carro de som e entregando panfletos e máscaras PFF2. Após a caminhada, o movimento se concentrou em uma atividade cultural com microfone aberto. Os manifestantes reivindicavam “Vacina no braço e comida no Prato”, a realização da auditoria cidadã da dívida pública e o #ForaBolsonaro.

Créditos: Marcelo Jaboo | Clique na foto para ver mais.

 

DOURADOS

O SINASEFE-MS marcou presença na mobilização organizada pelo Comitê de Defesa Popular em Dourados. Participaram docentes, técnicos filiados e também de estudantes do IFMS. Os manifestantes ocuparam alguns pontos da cidade em grupos pequenos para evitar aglomeração e portaram cartazes, faixas e banners, para além de distribuírem máscaras PFF 2 para a população.

Foram registrados protestos em pelo menos 5 pontos da cidade: Feira Central, imediações da Rodoviária, Trevo da Bandeira, Atacadão e nas imediações do Parque do Lago. Além disso, manifestantes também se reuniram na Praça Antônio João e realizaram caminhada até o Terminal de Transbordo.

Créditos: Iara Cardoso | Clique na foto para ver mais.

 

NOVA ANDRADINA

Motoristas e residentes das cidades que utilizaram a rotatória central de Nova Andradina nas primeiras horas da manhã do sábado (19), se depararam com 84 cruzes cravadas simbolizando 84 mortes de moradores do município, registradas até sexta-feira (18), todas em circunstancia da COVID-19. O #ForaBolsonaro organizado pela Frente Popular de Nova Andradina conta com a participação de entidades sindicais SINASEFE/MS, ADUFMS, SIMTED e movimentos sociais e ocorreu em frente na Praça do Museu.

Diferentemente das manifestações que o Presidente Jair Bolsonaro participou recentemente em vários pontos do país, quando ele esteve sem fazer o uso de mascaras, em Nova Andradina a organização solicitou aos presentes que usassem máscaras N 95 ou PFF2 e o álcool gel 70%. [Nova Notícias]

Créditos: Diego Gomes | Clique na foto para ver mais.

 

COXIM

Em Coxim, a concentração foi na antiga Praça da Concha durante a tarde de sábado (19). O manifesto contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e a favor da vacina contra Covid-19 contou com uma caminhada pelo centro da cidade.

Créditos: Não identificado | Clique na foto para ver mais.

O SINASEFEMS compôs os atos nas cidades de Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá, Coxim e Nova Andradina. Nas cidades de Bonito e Itaquirai haviam manifestações previstas, no entanto, não aconteceram.