Reunidos em assembleia estadual, convocada pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais, entidade representativa dos trabalhadores dos Institutos Federais, em 31 de março de 2021, ficou aprovado a redação e a publicação desta presente Moção de Repúdio ao golpe civil-militar de 1964, em defesa aos direitos democráticos, dos movimentos sociais e pelo Poder Popular.
Os servidores filiados do SINASEFE|MS repudiam veementemente as tentativas golpistas contra a democracia e os direitos das classes trabalhadoras promovidas pelo Senhor Presidente da República Brasileira, Jair Messias Bolsonaro, repudiam às suas sucessivas declarações públicas, sua participação em manifestações de apoio à uma intervenção militar no país, à perseguição de servidores públicos, lideranças populares, negros, indígenas e a condução do enfrentamento a pandemia Covid – 19. Estes são exemplos claros de seus ataques à democracia brasileira, a soberania nacional e aos direitos democráticos do povo brasileiro.
O golpe civil-militar de 1964 tinha como um de seus muitos objetivos atacar frontalmente a ameaça comunista, a iminência de uma revolução socialista no Brasil, revolução que nunca aconteceu, diga-se de passagem, e levar o país aos rumos do desenvolvimento nacional. Os diversos assassinatos, torturas, perseguições políticas, exílios, foram experiências vivenciadas nos anos de chumbo, e registradas pela Comissão da Verdade, instaurada nos anos dos governos petistas. A censura, a retirada dos direitos políticos, civis, sociais e humanos, a perseguição implacável aos militantes comunistas ligados ao PCB e, em seguida, aos diversos grupos guerrilheiros, que surgiram em solo nacional, são exemplos claros da política do governo golpista de 1964.
O entreguismo das empresas nacionais aos setores estrangeiros, sobretudo, os setores vinculados à área de influência do dólar, fizeram parte do chamado milagre econômico, que para nós, representa o fracasso econômico brasileiro, causando como consequências o empobrecimento das classes trabalhadoras, a perda de seu poder de compra, a super exploração do trabalho, o aprofundamento da dívida externa, o subdesenvolvimento nacional e a dependência para as economias estrangeiras.
O Brasil, vivenciara um novo golpe de Estado. Diferentemente de 1964, em 2016, não foi necessário os militares aquartelados marcharem até Brasília e deporem o presidente democraticamente eleito. Os grupos conservadores da sociedade civil, mais uma vez, apoiaram as iniciativas golpistas da elite brasileira e estrangeira ressuscitando a Marcha de Família com Deus pela Liberdade de 1964. Estes grupos conservadores da sociedade civil, são representados por grandes empresários brasileiros e estrangeiros, líderes religiosos, think thanks estadunidenses e suas fake news, os militares, instituições públicas e privadas, por movimentos liderados por uma parcela significativa da população da classe média. Os setores conservadores das classes médias se organizaram no MBL, movimento de extrema direita, e participaram ativamente jogando peso político decisivo, por meio dos setores ligados as igrejas evangélicas neopentecostais.
Outras representações das instituições brasileiras foram significativas para o coroamento deste novo golpe de Estado. Estas foram registradas na participação decisiva do Poder Judiciário de Curitiba, e do Poder Legislativo, representado pelos Deputados Federais e Senadores. O impeachment de Dilma Rousseff, presidente democraticamente eleita e a prisão arbitrária de Lula, por crimes não comprovados, abriram o caminho para os setores conservadores ascenderem ao poder. O senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, ao declarar seu voto na sessão parlamentar de impeachment, fez alusão direta ao seu ídolo, o torturador e golpista de 1964, o Gral Ustra.
A confirmação de que o Brasil sofrera um golpe de Estado em 2016 não foi percebido somente pela mudança radical na política econômica do país, com Temer, mas, também, pelas reuniões secretas durante a madrugada no escritório presidencial, as gravações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS, as gravações obtidas pelo jornal The Intercept Brasil, que originou a operação Vaza Jato, e a anulação do julgamento de Lula em 2021. Os ataques aos direitos dos trabalhadores, com as reformas trabalhista e previdenciária, o fim da negociação coletiva, as terceirizações, precarizaram o trabalho, empobreceram a classe trabalhadora, e aprofundaram o subdesenvolvimento nacional e a dependência das economias estrangeiras imperialistas.
Estas são muitas das razões que nos levam a REPUDIAR as tentativas golpistas, as manifestações em apoio a uma intervenção militar no Brasil e a perseguição às lideranças políticas de esquerda no Brasil. Defendemos veementemente as liberdades democráticas expressas nas conquistas alcançadas pelos movimentos sociais e a esquerda, garantidos na Constituição de 1988, e declaradas por meio dos direitos civis, políticos, sociais e humanos. Defendemos os direitos da classe trabalhadora, o trabalho decente, as conquistas democráticas e a construção do Poder Popular por meio de uma democracia participativa, e a participação de todos e todas nos rumos da soberania do Brasil.

 

09/04/2021

Diretoria SINASEFE|MS