Nesta quarta-feira (19), entidades sindicais e estudantis da área da educação nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul irão distribuir uma carta aberta à população, defendendo que a retomada de atividades presenciais só ocorra a partir de condições sanitárias adequadas, sobretudo a vacinação em massa da população e reformas estruturais para adequar as instituições às normas sanitárias. A perda de direitos dos servidores, devido à reforma administrativa, também é abordada.

Em Cuiabá, a carta aberta será distribuída na Praça Alencastro, a partir das 8 horas. Também haverá paralisação das atividades docentes na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Serão entregues unidades de máscara PFF2 à população, junto ao material gráfico. Em Campo Grande, haverá um pronunciamento e leitura da carta pela vereadora Camila Jara (PT).

As seções do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (SINASEFE) nos dois estados organizarão um debate no canal do Sinasefe/MT no YouTube, com a advogada e assessora jurídica da entidade, Fernanda Vaucher. O evento será às 19h. Mais cedo, às 9 horas, haverá uma live com entidades de educação (ANDES-SN, FASUBRA, SINASEFE, UNE e FENET, com presença de outras entidades da educação, básica, entidades do FONASEFE e parlamentares), que contará com entradas ao vivo dos atos nos locais de mobilização.

As entidades solicitam, para o dia 27 de maio, audiências públicas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul para debater, com os deputados, os motivos que os levaram a aprovar um Projeto de Lei que autoriza o retorno presencial, em um contexto de aumento dos casos de infecção e mortes por Covid-19, encerramento de produção de vacina no Brasil e altos índices de ocupação dos leitos de enfermarias e UTIs. Entre as 11 e 17 horas, haverá um twittaço nacional em defesa da educação pública, usando a hashtag #AEducaçãoPrecisaResistir.

Em Mato Grosso, o retorno às atividades presenciais nas escolas foi sancionado pelo governador Mauro Mendes (DEM) a partir da Lei 11.367/2021, com veto de parte do texto, que estabelecia a vacinação de todos os profissionais como condição para a volta às aulas. As entidades denunciam a irresponsabilidade desta medida, que colabora com a disseminação do vírus e agravamento da pandemia, na contramão das normas da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

De acordo com o coordenador-geral do SINASEFE/MT, Leandro Viana, não é prudente retornar às aulas sem vacinar, além dos professores, também os profissionais da limpeza, portaria e outras atividades escolares. “Nós consideramos perversa a lógica de ampliar a pandemia e colocar a nós mesmos, e sobretudo, a nossos estudantes em risco.  Será que esses e essas deputadas já foram em enterros de estudantes? Não há nada pior do que o silêncio na escola e a falta de esperança. Qual o sentido de vacinar docentes e deixar de lado o porteiro ou outro trabalhador da escola? Quem cuida da faxina não seria quem está tanto ou mais sob risco?”, refletiu. 

Raquel de Brito, vice-presidente da Regional Pantanal do ANDES-SN, afirma que “ao passo que governos estaduais e federal estão naturalizando o retorno às atividades escolares usando o argumento de que a educação é um serviço essencial, as entidades, sindicatos e movimentos sociais reafirmam inapelavelmente que a educação é um direito social que só pode existir se houver vida”. De acordo com Raquel, “essencial é salvar a vida da população e a vacina para todas e todos”.

A carta aberta pode ser conferida clicando aqui!